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Pastores e política: sete razões para falar e quatro princípios para falar bem

Pastores e política: sete razões para falar e quatro princípios para falar bem

Igreja & Liderança/

Nota do editor: O autor escreve como pastor batista nos Estados Unidos, e nomes como TPUSA e James Carville são conhecidos do público americano. Os princípios que ele propõe (peso moral, foco na moralidade pública, moderação e clareza de categorias) valem para qualquer púlpito. Recentemente, tivemos uma eleição especial para uma cadeira no Senado dos Estados Unidos pela Carolina do Sul. No dia do segundo turno, atendi várias ligações de membros da igreja e de outras pessoas perguntando sobre...

Nota do editor: O autor escreve como pastor batista nos Estados Unidos, e nomes como TPUSA e James Carville são conhecidos do público americano. Os princípios que ele propõe (peso moral, foco na moralidade pública, moderação e clareza de categorias) valem para qualquer púlpito.

Recentemente, tivemos uma eleição especial para uma cadeira no Senado dos Estados Unidos pela Carolina do Sul. No dia do segundo turno, atendi várias ligações de membros da igreja e de outras pessoas perguntando sobre os candidatos. Isso costuma acontecer em época de eleição, porque publico sobre política nas redes sociais e tenho outros envolvimentos políticos. Faço isso mesmo tendo ouvido, durante toda a minha vida adulta, de supostos líderes evangélicos que falar de política não convém a um pastor. Contudo, creio que o "silêncio neutro" (que nunca é realmente neutro) não era a melhor maneira de liderar a minha igreja. A seguir, apresento sete razões pelas quais um pastor deve falar publicamente sobre política, depois quatro princípios que orientam o meu discurso político e, por fim, um estudo de caso da nossa igreja.

Sete razões para se manifestar

Primeiro, pastores também são cidadãos. Pastores não devem necessariamente se calar sobre os rumos da nação só porque são pastores. Eles não são apenas pastores. São também cidadãos. Como pastores e cidadãos, devem ser um modelo para a congregação, oferecendo um exemplo maduro de como aplicar a sabedoria bíblica à esfera política, na qual os seus membros têm deveres. Embora conversemos e oremos na igreja sobre as questões políticas urgentes, reservo os comentários e a defesa mais partidários e relacionados às eleições para minhas redes sociais pessoais e para conversas particulares, como cidadão. Assim como um pastor pode ser pai e cumprir ao mesmo tempo os seus deveres nessas duas esferas, ele também pode atuar na esfera pública como cidadão.

Segundo, pastores devem liderar com transparência e honestidade. Uma congregação não deveria ter de se perguntar qual é a posição de seus pastores sobre as questões e decisões mais importantes do nosso tempo. Ao contrário, os pastores devem ser francos e honestos quanto às suas convicções e estar dispostos a defendê-las. Desse modo, eles lideram a congregação em vez de molhar o dedo para ver de que lado sopra o vento e decidir sobre quais questões podem falar abertamente na igreja. Essa transparência e essa honestidade geram confiança entre o pastor e o seu povo.

Terceiro, o discurso político é um meio de discipulado. Num tempo em que a política toca em tudo, o pastor tem o dever de orientar a congregação a lidar fielmente com as questões políticas. Evitar esses temas por medo de conflito ou de ferir sentimentos é abrir mão de seus deveres de discipulado. Alguém vai catequizar essas pessoas em questões políticas. É muito melhor que esse "alguém" seja o pastor delas, que prestará contas pela alma delas. Além disso, a política não é um terreno nojento e proibido, onde os cristãos não ousam pisar. Ao contrário, os cristãos devem aplicar a Bíblia à política, e os pastores devem ajudar o seu povo a fazer isso de forma prática.

Quarto, o discurso político mostra que você é leal à sua congregação. É verdade que isso pode variar de lugar para lugar, mas, no meu contexto, a nossa igreja é formada, em geral, por cristãos conservadores. Há décadas, todas as grandes instituições da sociedade se uniram contra eles. Defender a política conservadora mostra que estou do lado deles. Quero que o meu povo saiba que sou leal a ele. Autoridades nacionais podem chamá-los de lixo, mas eu ficarei na caçamba com eles. Eles são o meu povo, e não vou traí-los em troca da aprovação de seus inimigos.

Quinto, o discurso político abre as estruturas de permissão do debate político. A maioria das pessoas precisa sentir que recebeu "permissão" antes de se manifestar sobre assuntos controversos. Não querem ficar isoladas ao expressar uma opinião. Ouvir outras pessoas se manifestarem, especialmente figuras de autoridade como os pastores, permite que façam o mesmo. Quando ouvem seus pastores opinarem sobre questões políticas, sabem que não estão sozinhas. Quando um número suficiente de pessoas expressa uma opinião sobre determinado assunto, a janela de Overton das posições aceitáveis se desloca e passa a incluir essa opinião. Um privilégio do meu trabalho é que dificilmente serei demitido por minhas opiniões políticas. Nem todos estão nessa situação, especialmente quem trabalha para uma grande empresa secular. Ao administrar bem a minha liberdade e me manifestar, posso ajudar a abrir as estruturas de permissão para que todos, inclusive os membros da minha congregação, falem de política com mais liberdade.

Sexto, o discurso político é uma oportunidade de evangelização. Houve uma grande guinada à direita entre os incrédulos, especialmente entre os rapazes. Isso representa uma enorme oportunidade de evangelização, porque muitas das questões que lhes importam (nações, fronteiras, economia sólida, famílias, saúde) estão fundamentadas na Palavra de Deus. Temos a oportunidade de lhes mostrar um caminho para encontrar verdadeira coerência entre suas convicções políticas e o restante de sua vida. Infelizmente, muitas igrejas foram tomadas por uma postura política de esquerda branda. Sem perceber, aceitam os enquadramentos da esquerda e vivem repreendendo a direita. O resultado é que muitos incrédulos supõem que não entendemos o que está em jogo no momento atual e que, em vez disso, enterramos a cabeça na areia. Manifestar-se a favor da política de direita a partir de uma cosmovisão claramente cristã é um sinal para a direita incrédula. Mostra que essas pessoas são bem-vindas na igreja e que suas posições políticas não serão usadas contra elas. Comunicamos que esta igreja não está contra elas e que aqui podem encontrar esperança para a alma.

Sétimo, o discurso político é um bom filtro para a igreja. É claro que recebemos todos para ouvir o glorioso evangelho em nossa igreja e desejamos que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Ao mesmo tempo, quero proteger a nossa igreja contra a infiltração de progressistas e quase esquerdistas. Membros assim podem estragar muito rapidamente a unidade da igreja e desviá-la de sua missão. Basta avaliar os frutos do wokismo na igreja evangélica nos últimos dez anos. Ele se mostrou causa de divisão. A aplicação franca da Bíblia às questões políticas pode ajudar quem não se encaixaria em nossa igreja a se excluir por conta própria, protegendo assim a igreja e a sua missão. Isso não quer dizer, é claro, que pretendemos anunciar Cristo somente aos conservadores. Claro que não! Mas quer dizer que filtrar os cristãos progressistas nos ajuda a cumprir melhor a nossa missão de pregar o evangelho a todas as pessoas.

Quatro princípios para orientar o seu discurso

Creio que as razões acima são boas razões para que os pastores participem do debate político. Mas o discurso político do pastor também precisa ser orientado por certos princípios. Eis quatro princípios que adoto.

Princípio n.º 1: Quanto maior o peso moral de uma questão, mais necessário é tratar dela. Questões como o aborto e a sexualidade (por exemplo, LGBTQ+, transgenerismo, casamento) têm enormes implicações morais. Quero falar com clareza e ousadia sobre essas questões. Embora eu possa ter opiniões biblicamente fundamentadas sobre alíquotas de impostos, esse tema não tem o mesmo peso moral, e por isso dificilmente tratarei dele do púlpito. Dificilmente comentarei uma lei municipal de zoneamento, a menos que ela claramente ponha em perigo a nossa comunidade ou atinja uma questão moral importante.

Princípio n.º 2: Como pastor, trate mais de questões de moralidade pública do que de política partidária. Quando está claro que o pastor fala no exercício do ofício pastoral, como no púlpito, é melhor evitar fazer campanha para determinado candidato ou partido. No nosso clima político polarizado, em que partidos e candidatos atuam a partir de cosmovisões diametralmente opostas, as implicações do discurso político do pastor podem apontar claramente para um candidato como a melhor escolha moral. Mas tratar das questões como questões, e não de candidatos e partidos, evita a impressão de transformar a igreja em comício partidário e mostra à congregação que as nossas decisões políticas estão fundamentadas na Palavra de Deus.

Princípio n.º 3: Não exagere. O pastor não é um operador político. Seus deveres principais são os ministérios da Palavra e dos sacramentos, ajudando o seu povo a avançar rumo à vida eterna. A esfera política é uma das áreas em que ele precisa aplicar a Bíblia para a congregação, mas não é a única. Tratar de política é como pôr sal na sopa. Se você puser pouco, ela fica sem gosto. Mas, se puser demais, fica com gosto de mar. O pastor sábio sabe salgar a sopa. Ele não deve ter medo de tratar de temas políticos, mas a política nunca deve se tornar o seu cavalo de batalha. Irmãos, nós não somos James Carville.[1]

Princípio n.º 4: Não confunda as categorias. Os pastores costumam ser desencorajados a se envolver em política sob o argumento de que isso pode tornar a igreja mundana demais. Esse perigo certamente existe. Mas o perigo na outra vala é o de pastores tratarem o governo como se fosse a igreja. Por exemplo, alguns dizem que, como a igreja é uma nação santa (1Pe 2.9), multicultural e multiétnica (Ap 5.9), as nações terrenas também devem ser multiculturais e multiétnicas. Os pastores devem tomar cuidado para evitar a tentação de reduzir as realidades celestiais às terrenas.

Um estudo de caso

No verão passado, o deputado federal Ralph Norman disputava a indicação do Partido Republicano ao governo da Carolina do Sul. Fui procurado pela campanha dele para que ele falasse em nossa igreja. Ele queria falar durante cinco minutos, dar o seu testemunho e depois ficar à disposição para cumprimentar os membros antes e depois do culto. Embora eu apoiasse pessoalmente o deputado Norman na eleição, tive de pensar seriamente se aquilo era apropriado ou não para um culto de domingo em nossa igreja.

Por fim, decidimos permitir que ele viesse e desse o seu testemunho logo no início do culto, antes da chamada à adoração. Isso significava que a congregação poderia ouvi-lo num momento em que já estávamos reunidos, mas não durante o culto propriamente dito. Fizemos isso porque cremos que é bom que autoridades públicas deem testemunho de Cristo e que é bom que os cidadãos ouçam esse testemunho. Também cremos que era bom que alguém com chances reais de se tornar o nosso próximo governador ouvisse a pregação da Palavra de Deus e, durante o sermão, como aplicação do texto que eu pregava, disse a ele que, se eleito, teria o dever de governar segundo a Palavra de Deus.

Na semana seguinte, um representante da TPUSA Faith, que trabalhava em estreita colaboração com a campanha de Norman, perguntou se poderia vir e montar uma mesa de cadastro de eleitores do lado de fora do templo. Embora eu valorize o trabalho da TPUSA Faith, recusei a proposta porque achei que seria demais para a nossa congregação. Além disso, uma campanha de cadastro de eleitores não me pareceu tão adequada ao Dia do Senhor quanto ouvir o testemunho do deputado Norman e tê-lo cultuando conosco. Um segundo evento político simplesmente pareceu sal demais na sopa.

Conclusão

Quando lhe perguntaram por que evitava declarar apoio político, Michael Jordan teria respondido: "Republicanos também compram tênis". Era uma boa decisão comercial para Jordan. Mas pastores não vendem religião. Não buscamos fatia de mercado. Somos arautos da Palavra de Deus, encarregados de aplicar toda a Bíblia a toda a vida. Isso inclui a política.

Portanto, não devemos ter medo nem vergonha de tratar da esfera política. Ao contrário, devemos fazê-lo com clareza e coragem, com sabedoria e maturidade, a fim de equipar aqueles que estão assentados com Cristo nos lugares celestiais para que governem bem como cidadãos sobre a terra.

Publicado originalmente em inglês em Christ Over All. Traduzido e publicado com permissão.

Notas

  1. Isto é, não somos pagos para dar uma interpretação conveniente às notícias e fazer campanha para políticos. James Carville foi o principal estrategista de campanha e operador político do Partido Democrata durante o governo de Bill Clinton.

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