top of page

O que os homens jovens querem da igreja

há 5 horas
8 min de leitura

Como os evangélicos podem alcançar a Geração Z com masculinidade


Certo dia, há algumas semanas, cheguei ao grupo de adolescentes da minha igreja PCA e fiquei inquieto ao encontrar cerca de 30 meninas e nenhum menino presente. É verdade que era o fim de semana de abertura da temporada de caça. Ainda assim, mesmo quando há mais meninos, eles ficam em menor número que as meninas e, com frequência, sem entusiasmo e sem interesse. Por fim, um menino apareceu alguns minutos atrasado, com ar bastante apático. Somos uma igreja relativamente grande e em contínuo crescimento, com mais de 500 frequentadores semanais, e um grupo de jovens tido como um dos melhores da região. Todo domingo, em nossa igreja, a Bíblia é bem pregada por homens íntegros. E, ainda assim, lutamos para atrair homens jovens.


O que está acontecendo com os homens jovens? Nos últimos anos, muitos estudos preocupantes têm surgido a respeito deles, em especial os da Geração Z. Ouvimos falar de taxas crescentes de suicídio, de solteirice e de degeneração social. Cresce o número dos que se identificam com LGBTQ e, pior de tudo, muitos jovens cristãos estão apostatando. É encorajador saber que a religião vem sendo associada ao masculino e que, pela primeira vez em muito tempo, os homens jovens superam as mulheres jovens no retorno à religião; mas a Geração Z ainda é, hoje, a geração que menos frequenta a igreja, e os frequentadores continuam sendo predominantemente mulheres.


Como devem os líderes da Igreja responder a essas crises? No fundo, a raiz do problema é a falta de um senso de propósito. Cabe aos líderes da Igreja oferecer aos homens jovens alienados de hoje um propósito claro, um pertencimento e um lugar — abraçando a tradição, reforçando a masculinidade e pastoreando-os com rigor. Alicerce e enraizamento, encorajamento e disciplina: eis o que os homens jovens precisam.


Durante décadas, as igrejas protestantes alteraram liturgia, estilo e mensagem para acomodar a nossa cultura. Esse erro tende a afastar os homens jovens. Segundo o Institute for Family Studies, cerca de 61% dos frequentadores de igreja nos EUA são mulheres. Essa estatística é preocupante — não porque não queiramos mulheres na igreja, mas porque, como uma família, a igreja precisa de homens e de mulheres. Se a igreja atrai de modo desproporcional as mulheres e não os homens, é hora de reavaliar os modelos de ministério — e, sim, toda igreja tem um modelo de ministério, perceba isso ou não.


Essa divisão tem, sem dúvida, muitas causas, mas uma delas é o estilo litúrgico moderno. A maioria das igrejas modernas nos Estados Unidos canta música contemporânea (mesmo as católicas romanas). Essa escolha litúrgica alimenta o que Aaron Edwards rotulou com acerto de “efeminação eclesial”. Tanto as letras quanto o estilo da maior parte da música contemporânea são emotivos: enfatizam o caráter relacional de Deus e rebaixam coisas como o poder, a ira e a justiça de Deus. Representações marciais, judiciais e apocalípticas de Deus nas Escrituras quase nunca aparecem — se é que aparecem. Pouquíssimas canções, se alguma, se apoiam nos Profetas Maiores ou recontam os eventos de Juízes, Reis e Crônicas. Não é que toda a música contemporânea apresente doutrina falsa; apenas doutrina sentimentalizada. É, de modo desproporcional, tematicamente efeminada.


Essa música aliena os homens jovens na igreja. Concentra-se no lado emocional da vida cristã e ignora por completo o dever, a disciplina e a guerra espiritual que hinos e salmos tradicionais oferecem. Os salmos certamente falam do amor e do consolo de Deus, mas falam com igual frequência de guerra e juízo, conquista e domínio, triunfo sobre as trevas.


Um resultado dessa disparidade litúrgica é que muitos homens jovens estão atravessando o Tibre ou se convertendo à Ortodoxia Oriental. Um estudo recente mostrou um aumento de 78% nos convertidos à Ortodoxia Oriental na América entre 2019 e 2022; na Inglaterra, os católicos agora superam os anglicanos entre as gerações mais jovens.


Há uma espécie de instabilidade e presentismo no modelo consumista que informa e cerca a música contemporânea. Ninguém cantava nenhuma dessas canções há cem anos, e ninguém as estará cantando daqui a cem anos. Por isso modelos litúrgicos mais tradicionais atraem os homens jovens em particular: apresentam estabilidade, enraizamento, história, e nos convidam a participar e a contribuir com algo maior e mais antigo do que o estilo emotivo passageiro da mais recente tentativa cristã de imitar o Coldplay. A liturgia tradicional é feita para durar e pede aos homens algo que lhes é natural: guardar, proteger e cultivar.


Os jovens, sobretudo os homens, buscam a tradição para se enraizar, mas também por outra razão: a tradição é contracultural. Homens jovens se atraem por certas expressões da religião hoje porque a religião agora é inconformista, contracultural, até antimoderna. Há maneiras piores de canalizar a rebeldia juvenil. Mas há fundamento bíblico para a não conformidade. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).


As aplicações dessa postura cristã são numerosas, mas uma delas, com certeza, é pensarmos com seriedade até que ponto nosso culto meramente imita os impulsos e gostos da cultura predominante. Estamos correndo atrás de modismos e tendências? O que comunicamos com nossas letras, nossa música, nosso estilo? Nossa liturgia reflete a perseverança e o triunfo prometidos à igreja por Cristo? Invoca a memória dos santos que nos precederam? Nos enraíza na obra de Deus ao longo da história? A mensagem predominante é o consolo emotivo ou a ousadia marcial?


Muitos homens jovens vão para Roma ou para o Oriente porque, ao menos superficialmente, essas expressões do cristianismo prometem estabilidade e autoridade contraculturais. Deixando a teologia de lado, a estética dos católicos e ortodoxos atrai a Geração Z criada na instabilidade da hiper-realidade pós-moderna. Canções do Hillsong e da Bethel em igrejas de centros comerciais de beira de estrada simplesmente não oferecem o mesmo consolo e a mesma segurança que os ritos tradicionais. Muitas igrejas evangélicas modernas ainda vivem segundo um modelo de ministério sensível ao buscador. Querem atrair e reter membros. Todos conhecemos os resultados embaraçosos que esse modelo pode produzir, mas, em certa medida, toda igreja é sensível ao buscador. Os evangélicos, porém, perderam parte do seu público e, ironicamente, as igrejas evangélicas modernas não oferecem um ethos comunitário denso. Talvez o café seja bom e os pequenos grupos estejam fervilhando, mas a comunhão dos santos de todos os tempos falta na liturgia.


Para deixar claro: algumas igrejas protestantes oferecem isso. Denominações como a CREC dispararam em crescimento porque compreendem que as pessoas querem tradição — até a simplicidade da tradição. Nada ostensivo, nada que se curve ao que um livro de estratégia ministerial diz ser culturalmente relevante. Elas adoram com saltérios e hinários, com acompanhamento instrumental mínimo, e os homens jovens gostam. Quando frequentei igrejas da CREC, boa parte dos participantes eram homens de 16 a 30 anos, bem vestidos e engajados.


Outra coisa que essas igrejas reformadas cada vez mais bem-sucedidas compreendem é a importância de abraçar e reforçar a masculinidade bíblica. Isso vai além da música. Estruturas de liderança e pregação também importam. O feminismo infiltrou-se na igreja de muitas maneiras mais danosas do que o estilo de culto. Flertes com pastoras ou com “pastoras” e “diaconisas” são apenas a manifestação mais óbvia. A missão central que anima muitas igrejas parece ser não ofender as mulheres. Desse modo, mesmo igrejas que ainda excluem mulheres do pastorado são funcionalmente igualitárias.


Essa fixação não é só uma distração: aliena os homens. Deus fez os homens para liderar, prover e proteger; contudo, as igrejas raramente enfatizam esses aspectos da liderança masculina hoje. Em vez disso, muitos evangélicos conservadores criaram igrejas não binárias, nas quais as expectativas para homens e mulheres já não se diferenciam. Tudo o que os homens podem fazer, as mulheres também podem. Distinções biológicas não pesam, como se Deus não tivesse inscrito verdades e ordem em sua criação. Se as Escrituras reservam certas funções aos homens, isso é quase tratado como lamentavelmente arbitrário. De novo, o objetivo é garantir que as mulheres sejam ofendidas o mínimo possível. O problema é que a natureza e as Escrituras são notavelmente ofensivas. Essas atitudes prevalentes não só elevam as mulheres de modo desproporcional: diminuem a responsabilidade dos homens. Parte de gerar um senso de propósito para os homens jovens passa por atribuir-lhes responsabilidades únicas na igreja que reflitam sua natureza, seus talentos e suas paixões.


Como a música, grande parte da pregação evangélica fixa-se em temas relacionais como compaixão, perdão, hospitalidade e bondade. Obviamente, todas essas qualidades são ensinadas nas Escrituras. Mas as Escrituras também incluem profetas zombando grosseiramente da idolatria, apóstolos repreendendo o pecado e reis guerreiros esmagando os inimigos de Deus. Cristo é apresentado como o bom pastor — consolador, compassivo, guiando com brandura; ele também é apresentado como um guerreiro ensanguentado, brandindo a espada. A vida espiritual é descrita na Bíblia em termos bélicos, bélicos o bastante para exigir armadura. Os cristãos devem cuidar dos enfermos e também defender os fracos. Para cada pastor na história da igreja que ministrou a cidades infestadas de peste sob risco próprio, por que não se dão também exemplos de cavaleiros que protegeram a estrada dos peregrinos de bandidos e otomanos? As mulheres buscam consenso, mas os homens precisam de conflito. Se esses impulsos diferenciados por sexo não forem levados em conta e canalizados, assumem expressões excessivas. Traços masculinos precisam ser formados pela igreja, não reprimidos. Especialmente hoje, a igreja precisa de lutadores, protetores, líderes — mas uma geração de homens foi ensinada a reprimir esses traços em nome da paz interna e do testemunho público. Homens são ofensivos; uma igreja inofensiva não os atrairá.


Como Rusty Reno escreveu no ano passado, os homens jovens querem religião forte, mas também querem “religião dura, não religião fácil”. Bons soldados são soldados disciplinados, e precisam de uma companhia. Comunidades que valem a pena são exigentes e disciplinadas.


Líderes homens na igreja não devem temer enfrentar os pecados reinantes dos homens jovens. Confrontem os homens jovens quanto à luxúria, ao orgulho, à fraqueza física, à fraqueza emocional e à preguiça. Se tratarem desses temas, os homens jovens da sua igreja crescerão para ser homens fortes e bíblicos. Correção e disciplina como essas — do tipo que nosso Pai celestial nos oferece — atraem os homens jovens, sobretudo os jovens sem pai.


Essa é a base do crescimento espiritual, mas também da camaradagem masculina, outra coisa que os homens jovens anseiam. Há uma razão para as amizades masculinas com frequência se enraizarem no desacordo e na zombaria mútua. Conflito, luta, até insultos formam grupos sociais masculinos. Os homens querem ser desafiados, e a vida cristã é desafiadora. Os homens querem prestação de contas, aperfeiçoamento pessoal e crescimento, não estagnação. Isso lhes diz que estão indo a algum lugar, fazendo alguma coisa. Quando bem feito, a igreja pode e deve oferecer esses benefícios aos homens — as Escrituras certamente o fazem. Quem oferece tanto desafio quanto fraternidade aos homens jovens comunica que se importa com eles. Muitos homens estão profundamente solitários, até sem amigos. Esta é uma oportunidade para a igreja preencher esse vazio.


A Igreja está perdendo homens jovens com rapidez. Muitos falsos mestres e homens maus os estão desviando. Precisamos fazer o nosso trabalho para reconquistar esses homens jovens e dar-lhes pertencimento e propósito, a fim de formar a próxima geração de líderes cristãos fortes.


Artigo traduzido por Éden Publicações e publicado com permissão de American Reformer.


Todos os direitos reservados por American Reformer e Jeremy R. Carl.


Leia o original em inglês aqui.


Comentários


Seja parte da Éden!

Obrigado pelo envio!

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Instagram Branco
  • Twitter

Produzimos conteúdo evangélico e Reformado com foco devocional, prático e experimental. Tudo para te edificar na fé e aumentar sua alegria em Deus.

© 2026. Todos os direitos reservados por Grupo Éden.

ÉDEN PUBLICAÇÕES - Postal Box 7043 - SHIS QI 17 Comercio Local - Brasília, DF - 71645-970, Brazil

bottom of page