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A cultura do vício está crescendo

há 6 horas
5 min de leitura

Os cristãos têm seguido com demasiada frequência as tendências culturais mais amplas

Você pode legalizar o vício, ou pode ajudar a fortalecer os pilares do governo republicano. Mas não pode fazer o primeiro sem solapar o segundo.


Para quem quer inaugurar uma nova Idade de Ouro americana, o que Brad Wilcox e James Lynch chamam de “economia do vício” — que acelera na era Trump — precisa ser enfrentado.


Acesso instantâneo, 24 horas por dia, a pornografia hardcore; a proliferação de apostas online e de apostas esportivas; a ubiquidade do uso público de maconha; e a proliferação de tatuagens são apenas alguns dos sinais mais evidentes da degradação da moralidade pública nos EUA. Embora relatos moralistas do declínio de um regime possam ser exagerados, há claramente uma conexão entre o estado moral da cidadania e a saúde de um regime. No caso dos Estados Unidos, essa conexão parece bastante pronunciada — e rumando numa direção preocupante.


A ascensão de formas cada vez mais degradadas de pornografia é destrutiva para homens e mulheres, famílias e crianças. Sabe-se que os homens, em média, consomem pornografia em altas taxas por uma combinação de fatores — inclusive certos pecados aos quais os homens são mais propensos. Mas, ao contrário da impressão que alguns pastores passam em sermões do Dia dos Pais que fustigam os homens por olhar pornografia, as mulheres — mesmo dentro da igreja — também a consomem. Um estudo de 2020 descobriu que 60% das mulheres tinham olhado pornografia no mês anterior — e que 18% das mulheres que frequentam a igreja regularmente o haviam feito.


Mercados de previsão como Kalshi e Polymarket haviam atraído, até abril, um total combinado de 24 bilhões de dólares em apostas, permitindo apostas em praticamente qualquer coisa imaginável. Aplicativos como Klarna e Afterpay permitem adiar o pagamento de quase todo tipo de bem, amarrando picos de dopamina a uma dívida crescente.


Eu mesmo vi de perto alguns dos elementos mais públicos dessa cultura do vício em plena floração. Em viagens regulares a Michigan, notei que, assim que cruzo a fronteira do estado, os outdoors na estrada anunciam ou advogados de acidentes ou várias dispensárias de cannabis e lojas de vape. Um outdoor até mostra uma vovó sorridente, com os dois polegares para cima, e o nome da dispensária flutuando acima dela. (Isso ocorre enquanto um novo estudo relata que números crescentes de usuários americanos apresentam sintomas de transtorno por uso de cannabis.)


Exibições públicas de vício como essas teriam sido, com clareza, objetáveis numa cultura em que o cristianismo era visto como influência positiva. Mas numa cultura em que o cristianismo está perdendo poder, as barreiras morais estão se rompendo. Práticas outrora associadas apenas às classes baixas foram absorvidas pelas classes médias e altas. A legalização e a ascensão social do vício fazem parte de uma história maior sobre como a cultura cristã é corroída — gradualmente e, depois, de súbito.


Em paralelo, a proliferação do vício também é fomentada dentro da igreja. O culto sabático tem sido cada vez mais empurrado para o lado a fim de abrir espaço para esportes infantis nas manhãs de domingo e para a cobertura e os jogos da NFL o dia inteiro. Não é preciso ser um sabatista rigoroso para ver que tratar a frequência semanal à igreja como opcional — e não como um mandamento ensinado nas Escrituras e inscrito na natureza — é parte do motivo pelo qual as denominações cristãs estão se erodindo.


Para alguns pais, encaixar a igreja em torno do esporte — ou simplesmente abrir mão dela na maioria dos domingos em que há conflito — já se normalizou. Essa atitude certamente foi reforçada por igrejas que fecharam por longos períodos durante a COVID, dando aos congregados motivo para pensar que a presença era opcional. Foi ainda agravada pelo espetáculo de muitos cultos modernos, que podem ser plenamente digitalizados porque são, no fundo, shows com uma palestra TED no meio. A Pew relatou que a parcela de adultos dos EUA que frequentam cultos religiosos ao menos uma vez por mês caiu de 33% para 30% entre 2019 e 2022.


Em contraste acentuado com os anos 1980, quando as temporadas de esportes juvenis eram mais curtas e a prática mais informal, há hoje uma ênfase muito maior em ingressar em times de clube profissionalizados. Isso exige que os pais levem os filhos a múltiplos treinos por semana e dirijam até jogos e torneios de fim de semana que podem ficar a horas de distância.


Um relatório do Aspen Institute constatou que o número de horas que as crianças dedicam ao esporte, incluindo treinos e jogos, aumentou depois da pandemia. À medida que as blue laws foram sendo gradualmente revogadas e as normas culturais do século XX foram desaparecendo, o estigma de não ser visto no banco da igreja no domingo evaporou em grande parte. Parece mais fácil para os técnicos pressionarem os pais a comparecer a jogos nas manhãs de domingo do que para os pastores reagirem contra esses aspectos da cultura do vício. A Lifeway Research descobriu que apenas 36% dos pastores dizem que faltar à igreja por causa de esporte nunca é aceitável — cifra que sobe para 43% entre pastores mais velhos.


Frear o trem desgovernado do vício será difícil. Mas, embora as chances sejam remotas, isso precisará ser feito para preservar um semblante de cultura cristã capaz de apontar os americanos para as coisas eternas de Deus.


Os Pais Fundadores da América, afinal, viam a religião e a moralidade como pré-requisitos necessários para um povo que se autogoverna. “De todas as disposições e hábitos que conduzem à prosperidade política”, disse George Washington em seu Discurso de Despedida, “a religião e a moralidade são apoios indispensáveis. Em vão reclamaria o tributo do patriotismo o homem que se empenhasse em solapar esses grandes pilares da felicidade humana, esses mais firmes esteios dos deveres dos homens e dos cidadãos.”


Tempos em mudança pedem novas estratégias para enfrentar os piores aspectos de nossa cultura. Embora os cristãos sejam uma maioria em declínio no país, ainda têm números suficientes para produzir resultados benéficos, se se unirem.


Scott Yenor, da American Reformer, propõe um novo manual de ação para regular a obscenidade em geral. Inclui ação do Congresso para proteger crianças da pornografia, uma interpretação mais sólida da Seção 230 da Lei de Comunicações de 1996 que removeria a imunidade em bloco das plataformas, e a criação de forças-tarefa de persecução penal estadual e federal para mirar a produção e a distribuição de pornografia hardcore.


Os cristãos também deveriam considerar seguir o exemplo do cardeal John O’Connor, ex-arcebispo de Nova York, e recusar-se a assistir a esportes profissionais em dias como a Sexta-feira Santa e o Natal. Embora não haja nada de errado com os tradicionais jogos de futebol americano no Dia de Ação de Graças, vários jogos da NFL e da NBA agora são disputados no Dia de Natal — um sinal claro de uma cultura cristã em rápida deterioração.


Os cristãos precisam deixar de ser cata-ventos e tornar-se uma força positiva que reaja contra elementos da cultura do vício que afetam nossas igrejas e comunidades.


Artigo traduzido por Éden Publicações e publicado com permissão de American Reformer.


Todos os direitos reservados por American Reformer e Mike Sabo.


Leia o original em inglês aqui.

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