Jesus Avisou que Isso Aconteceria
- Natasha Crain

- 15 de out. de 2025
- 7 min de leitura
Por Natasha Crain
Compreender o que a Bíblia diz sobre a cultura odiar os seguidores de Jesus é essencial para entender o momento em que vivemos. Portanto, vamos às Escrituras.
Certa vez, Jesus reuniu Seus doze discípulos para prepará-los para uma missão. Ele lhes deu autoridade para expulsar espíritos imundos e curar toda doença e enfermidade (Mateus 10.1). Em seguida, deu-lhes uma série de instruções sobre o que esperar e como agir em sua jornada. Não foi, com certeza, um discurso para animá-los com a ideia de que seriam calorosamente recebidos. Jesus alertou que seriam entregues aos tribunais e açoitados nas sinagogas (Mateus 10.17), que membros da própria família trairiam uns aos outros e os entregariam à morte (Mateus 10.21), e que Ele não viera trazer paz, mas espada (Mateus 10.34). Nesse contexto, Jesus afirmou: “Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 10.22). Mais adiante, em Mateus 24.9, Ele repete aos discípulos: “Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa”.
Esses versículos nos levam a questionar: por que os discípulos de Jesus seriam odiados?
No contexto imediato dessas passagens, Jesus não explica diretamente o motivo. Mas Ele oferece uma resposta mais completa em João 15.18-21:
Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes me odiou. Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia. Lembrem-se das palavras que eu lhes disse: ‘Nenhum servo é maior do que o seu senhor’. Se me perseguiram, também perseguirão vocês. Se obedeceram à minha palavra, também obedecerão à de vocês. Tratarão assim vocês por causa do meu nome, pois não conhecem aquele que me enviou.
Agora temos a explicação: se os discípulos pertencessem ao mundo, o mundo os amaria como sendo seus. Mas, por não pertencerem ao mundo, e por terem sido escolhidos por Jesus, o mundo os odeia.
Jesus reforça esse ponto ao orar: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou” (João 17.14).
Mas o que significa “ser do mundo”? A palavra grega traduzida como “mundo” é kosmos. Nesse contexto, kosmos se refere à humanidade incrédula, que é governada pelo mal.
Dizer que os incrédulos são governados pelo mal não é uma hipérbole teológica.
Jesus afirmou repetidas vezes que Satanás é o governante do kosmos (João 12.31; 14.30; 16.11). De fato, Ele disse a uma multidão de judeus que afirmava ser descendente de Abraão e, portanto, filhos de Deus, que, na verdade, eram filhos do diabo (João 8.44). Por quê? Porque desejavam cumprir os anseios do diabo.
Essa é a distinção crucial. As pessoas ou são filhos de Deus ou filhos de Satanás.
Os que são “do mundo” são filhos de Satanás e, sob sua influência, preferem seguir seus próprios caminhos em vez dos caminhos de Deus. Em Efésios 2.1-3, Paulo afirma que todos nós, por natureza, tendemos a esse desejo de autogoverno:
'Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira.
Aqueles que permanecem no mundo são escravos do pecado porque continuam em rebelião contra seu Criador; ao seguir suas próprias paixões e desejos, fazem a vontade de Satanás. Aqueles que entregam suas vidas a Jesus, no entanto, recebem uma nova natureza e tornam-se uma nova criação (2Coríntios 5.17). Eles se tornam filhos de Deus (João 1.12) e agora são escravos da justiça. Paulo enfatiza esse contraste em Romanos 6.16-18:
Vocês não sabem que, quando se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado, que leva à morte, ou da obediência, que leva à justiça? Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça.
Recapitulando: Jesus disse que o mundo odiaria Seus discípulos porque eles não eram do mundo; se fossem do mundo, o mundo os amaria como seus. Ser “do mundo” significa estar sob a influência governante de Satanás, o que resulta em ser escravo do pecado.
Em contraste, ser filho de Deus é ser escravo da justiça.
Isso nos leva à pergunta final: por que os filhos de Satanás necessariamente odeiam os filhos de Deus? João responde diretamente a essa questão em 1João 3.9-13:
Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; e ele não pode continuar pecando, porque é nascido de Deus. Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, tampouco quem não ama seu irmão. Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas. Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia.
Em resumo, os filhos de Deus serão odiados porque praticam a justiça [retidão], enquanto os filhos de Satanás praticam o mal. A retidão é desprezada por um mundo caído.
Quando os filhos de Deus praticam a retidão, eles lançam luz sobre as obras do mundo, revelando a verdade sobre o que elas realmente são: más. Satanás pode se disfarçar de anjo de luz (2 Coríntios 11.14), mas essa ilusão é desmascarada pela verdadeira luz que emana dos seguidores de Jesus. É claro que aqueles que são do mundo odiarão isso. E odiarão você por ser o instrumento que expôs essa verdade.
Quando a cultura odeia você
Algo que é fácil de passar despercebido nas palavras de Jesus sobre ser sal e luz é como essa passagem termina: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5.16, grifo acrescentado). Essa conclusão pode parecer surpreendente, considerando nossa discussão anterior sobre sermos odiados por causa da justiça. De fato, é um contraste desconcertante até mesmo com as palavras imediatamente anteriores de Jesus (Mateus 5.10-12):
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.
Então, qual é a verdade? O mundo nos odiará por refletirmos a luz, ou verá nossas boas obras e glorificará a Deus?
A resposta é: ambos.
Às vezes, quando nós, como cristãos, testemunhamos a favor da retidão por meio de nossas palavras e ações, as pessoas terão seus olhos abertos e glorificarão a Deus como fonte de tudo o que é bom e verdadeiro. Louvado seja o Senhor por esses momentos!
Mas, em outras circunstâncias, os cristãos serão insultados e até perseguidos. Sim, Jesus disse que seremos bem-aventurados quando isso acontecer, mas isso não significa que será fácil. O profeta Jeremias proclamou a verdade de Deus à sua cultura, mas também lamentou: “Sou motivo de riso o tempo todo; todos zombam de mim. Sempre que falo é para gritar que há violência e destruição. Por isso a palavra do Senhor trouxe-me insulto e censura o tempo todo” (Jeremias 20.7-8). Jeremias não foi uma exceção. O padrão bíblico é que todos os profetas sofreram de alguma forma (Atos 7.52).
Nunca foi popular defender publicamente a retidão em um mundo caído.
Nenhum livro é necessário para equipar e encorajar os cristãos a perseverarem diante do ódio cultural quando o assunto é algo como apoiar uma cozinha comunitária. Como vimos, ninguém o odiará por isso.
Mas quando a cultura o odeia, quando você é insultado por promover suas posições no espaço público, é preciso profunda convicção e coragem para, ainda assim, perseverar pelo bem comum. Isso exige um entendimento bíblico, cultural e cívico que os cristãos nem sempre possuem de forma natural. E é aí que entra o propósito deste livro: fornecer aos seguidores de Cristo a compreensão essencial necessária para defender com confiança a retidão na cultura de hoje, cada vez mais escura e hostil.
A Parte 1 estabelecerá princípios fundamentais importantes sobre a natu reza da influência pública cristã. O objetivo desta seção é oferecer aos leitores uma estrutura para avaliar qualquer questão relacionada ao bem comum, mesmo que não seja abordada especificamente na Parte 2. Por isso, não pule a Parte 1! Ela serve como muito mais do que uma introdução à Parte 2. É relevante para uma infinidade de questões que os cristãos enfrentam, além daquelas que analisaremos neste livro.
Dito isso, na Parte 2, aplicaremos o entendimento desenvolvido na Parte 1 a cinco questões de relevância especial para o bem comum atualmente, questões nas quais os cristãos também estão em forte oposição à cultura e, por isso, recebem considerável condenação. Essas não são as únicas questões que geram ressentimento contra os cristãos, mas representam uma seleção daquelas em que os cristãos mais urgentemente precisam de clareza.
Minha oração é que o livro "Quando a Cultura Odeia Você" te equipe e encoraje a ser a luz que Deus deseja que você seja neste mundo.
__________________________________________________________________________________
(O texto acima foi extraído do livro "Quando a Cultura Odeia Você" da Natasha Crain. Você pode comprar o livro aqui).





Comentários