Por que ler o livro "Rei dos Reis" ?
- James Baird

- há 11 minutos
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Por *Dr. James N. Anderson
COMO ALGUÉM CRIADO na Grã-Bretanha, algo ficou profundamente marcado em mim, desde muito jovem, que há dois assuntos que nunca, jamais deveriam ser mencionados durante uma conversa cortês à mesa de jantar: religião e polí tica. Certamente ninguém deveria ser tão indelicado a ponto de introduzir ambos ao mesmo tempo em uma conversa. Mas mencionar religião e política e depois ainda sugerir que elas estão íntima e inevitavelmente ligadas? Essa é uma receita infalível para um jantar a sós.
Dito isso, suspeito que a maioria dos cristãos que creem na Bíblia percebe intuitivamente que religião e política não são apenas assuntos de extrema importância em se pensar e discutir, mas também que não podem ser mantidos facilmente em recipientes hermeticamente fechados, seguros e isolados um do outro. Afinal, a Bíblia nos diz que aquilo que cremos a respeito de Deus e de nosso relacionamento com Ele — a essência da religião — é mais importante do que tudo na vida. Realmente, a vida eterna consiste em conhecer a Deus por meio de Jesus Cristo (Jo 17.3). Além disso, a Bíblia tem questões importantes a dizer a respeito de política e de questões intimamente correlacionadas: o fundamento da lei moral, a organização saudável das sociedades humanas, os princípios gerais de justiça, o papel e a autoridade devidos do governo, os deveres e responsabilidades dos governantes civis, a relação das leis humanas com a Lei de Deus, e demais temas correlatos. Ninguém que leia a Bíblia atentamente deixará de observar que a fé cristã tem importantes implicações à esfera política. A Palavra de Deus aborda todos os aspectos da vida e, inevita velmente, a política é uma grande parte da vida.
Daí a necessidade de um livro tal como este diante de você, que cordial e firmemente nos leva a pensar de modo mais profundo, coerente, histórico e bíblico sobre qual deve ser a perspectiva cristã quanto ao governo. Permita-me esboçar uma proposição para preparar o terreno diante do que virá a seguir. Comece observando que a política nunca é vazia de valores ou neutra. Tanto a teoria política quanto a prática política precisam repousar sobre algum sistema de valores ou conjunto de normas; sobre alguma concepção do que é bom para os seres humanos, individual ou coletivamente; sobre alguma noção básica de justiça; e sobre algumas premissas normativas sobre o propósito do governo e sobre os modos adequados de o governo cumprir seu propósito. Todo sistema de governo, portanto, precisa estar alicerçado sobre um sistema de valores. Então, quais valores? Sem dúvidas desejamos que sejam os valores verdadeiros, os valores justos, os valores que efetivamente são aplicados. Para o cristão (coerente), esses valores devem ser, presumivelmente, os valores cristãos: valores que se alinhem a uma cosmovisão cristã bíblica, isto é, à cosmovisão verdadeira, à cosmovisão que representa o mundo como ele de fato é.
Ora, um dos valores cristãos centrais é o de que a religião é boa e necessária. E por quê? Porque nosso Criador nos fez religiosos, e só desenvolveremos o nosso potencial quando vivermos de acordo com esse “projeto divino”. Em uma perspectiva cristã, uma sociedade sem religião é uma sociedade disfuncional. Assim, se um dos deveres básicos do governo é promover o desenvolvimento do potencial humano e uma sociedade saudável, isso deve implicar a promoção da religião. A pergunta então seria: Qual religião? Ou, ao menos, que tipo de religião? Não uma religião abstrata, religião sem algum conteúdo específico. Só existem religiões. Além disso, deveria ser óbvio ao cristão (coerente) que a única religião que verda deiramente promoverá o desenvolvimento do potencial humano é a verdadeira religião — a religião que representa a verdade a respeito de Deus e de nosso relacionamento com Ele, a religião que nosso Criador requer que pratiquemos. E todo cristão sabe qual é, de fato, essa verdadeira religião.
Assim, para conectar os pontos: os cristãos devem sustentar que um dos deveres básicos do governo é promover a verdadeira religião, isto é, o Cristianismo. A única alternativa é sustentar que o governo deveria: (a) promover alguma falsa religião; ou (b) não promover religião nenhuma, em nenhum sentido. Nenhuma das opções é compatível com uma visão cristã sobre o “bem”.
Não é preciso mencionar que tal linha de raciocínio suscita imediatamente todo tipo de questionamento, muitos dos quais exigem cuidadosa reflexão e (em alguns casos) vigoroso debate. Mas tudo no seu devido tempo. Precisamos reconhecer que essas são questões secundárias, que não podem ser tratadas de modo relevante enquanto a questão primária — a da relação apropriada entre governo e religião — não for enfrentada e respondida com honestidade.
Se a apresentação acima despertou minimamente seu apetite, eu te garanto que um banquete o aguarda neste livro. Ao longo de dez breves capítulos, James Baird apresenta uma defesa cativante e rigorosamente construída sobre a tese de que “o governo deve promover o Cristianismo como a única verda deira religião”. Sua explanação é multifacetada, apoiando-se principalmente (como era de se esperar) nos ensinamentos das Escrituras, mas também na Tradição Reformada confessional, na herança política do Ocidente, na história fundacional dos Estados Unidos e na simplicidade do senso comum. Ao longo do caminho, ele esclarece as implicações desta tese e o que ela não implica, desarmando com maestria muitos dos mal-enten didos e objeções que já poderiam estar na mente do leitor (por exemplo, a de que tal tese seria “antiamericana” e prejudicial à liberdade religiosa).
Imagino que os leitores cristãos ficarão divididos sobre como a tese do livro os impactou. Alguns a considerarão bem fascinante. Outros, bem repugnante — ou, ao menos, desagra dável. Seja qual for sua reação imediata, recomendo que coloque entre parênteses seus sentimentos iniciais, e se faça as perguntas realmente importantes acerca da tese que Baird nos apresenta. A argumentação tem premissas verdadeiras? A conclusão decorre logicamente das premissas? A explanação é compatível com o que a Bíblia ensina sobre o propósito do governo e sobre o lugar da religião na sociedade humana? A posição aqui defendida seria uma novidade ou uma excentricidade histórica — ou possui uma nobre linhagem entre os cristãos protestantes?
Avalie a tese deste livro por seus próprios méritos, custe o que custar, e mude seus sentimentos a partir disso. O Rei Jesus não merece menos.
Afinal, a Bíblia nos diz que aquilo que cremos a respeito de Deus e de nosso relacionamento com Ele — a essência da religião — é mais importante do que tudo na vida.

*Dr. James N. Anderson Professor titular da cátedra Carl W. McMurray de Teologia e Filosofia Reformed Theological Seminary, Charlotte, NC (EUA).
O texto foi extraído do prefácio do livro "Rei dos Reis" escrito por James Baird e você pode comprar seu livro aqui.



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